Sexta-feira, 17 de Junho de 2011

O copianço no CEJ e a 'chico-espertice' lusa

Há um problema claro na sociedade portuguesa: não existe Justiça. Todos sabemos isto, mas tem de acabar. Como? Por um lado, a estrutura macro do problema cabe ao Governo resolver. Esperemos que Passos Coelho o faça, porque existem inúmeros estudos internacionais que colocam Portugal nas últimas posições no Mundo nesta matéria.

Antes ainda de se conhecer o novo Governo constituído por PSD/CDS, faço uma sugestão: Marinho Pinto, o Bastonário da Ordem dos Advogados, era uma óptima hipótese para chefiar a pasta da Justiça. Assim se dava uma oportunidade para resolver o problema ao homem que tanto reclama.


A resolução quotidiana deste, por outro lado, cabe-nos sobretudo a nós. E a verdade tem de ser dita: os portugueses adoram fugir à lei! E este problema estrutural tem de acabar. Portanto, comecem a pôr na vossa cabeça o seguinte: os que enganam as finanças e a segurança social só estão a contribuir para o aumento de impostos e das respectivas contribuições sociais. Os que enganam o centro de emprego, trabalhando "por fora" enquanto recebem o subsídio estão a dar cabo do Estado Social. Os que vão pedir alimentos quando têm a dispensa cheia em casa, ou quando usam estes produtos que foram dados por terceiros para vender estão a matar a caridade e a solidariedade. Os que compactuam com a falta recibos ou facturas estão a tirar viabilidade financeira ao Estado. Os que dão trabalhos aos amigos quando estão em cargos de poder não promovem o mérito no país. Entre muitos outros exemplos que todos bem conhecemos. Sendo realista, e sabendo que isto é impossível exterminar - porque é - façamos um esforço e reduzamos a margem de manobra.

Uma nota final para o recente caso em que os magistrados foram apanhados a copiar, e que agora ainda terão a oportunidade de repetir o exame. Era saudável para a democracia que estes 137 auditores de justiça fossem suspensos temporariamente de exercer funções de magistrados na justiça portuguesa (e depois expulsos) e com estes os que deviam estar a vigiar a sala. E não venham agora com argumentos de moderação - estilo 'coitadinhos, foi só uma vez' -, porque não foram apanhados 1 ou 2, foram 137. Este caso leva-me a perguntar: como terão chegado até aqui? É preciso instaurar um inquérito.

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