No momento pós-eleições, há pequenos sinais que podem parecer insignificantes, mas que são determinantes para perceber o rumo dos vários partidos. O caso Nobre foi, para este efeito, muito eficiente.
O PSD mostrou, por um lado, que vai cumprir a sua palavra, ziguezagueando o matreiro PS, que, a qualquer momento, lhe passará a rasteira. Ou seja, fará umas vezes do plano B o plano A e do plano A o plano B. Isto revela grande maturidade política.
O CDS, com o mesmo caso, revela que haverá uma oposição CDS, sem Paulo Portas, no parlamento. E que, no momento certo, dará a machadada final no Governo.
Também Nobre consegue clarificar que o PS está atento e que nos casos em que for preciso - como a revisão constitucional - marcará bem a sua posição, e deixa um aviso ao novo Governo PSD/CDS. Mas não só. O PS mostra também que está a olhar para o futuro. E fá-lo de forma positiva e exemplar.
O PCP, por seu lado, prova que continuará o seu caminho de oposição, servindo, aliás de referência para o reposicionamento dos outros partidos. Este factor de estabilidade é muito interessante.
O BE... nem sei por onde começar. A coisa aqui tá preta. Muito sinal de desgoverno. De guerra aberta. Mas há um sinal positivo nesta luta: o Bloco está mais activo do que nunca. Logo, dificilmente morrerá. O que vai acontecer? Lutará na assembleia, mas corre o risco de estar mais virado para dentro do que para fora. Como consequência, nas próximas legislativas pode perder mais uns deputados, seguindo um fenómeno que aconteceu com o CDS entre 1983 e 1991.
Mas também pode ganhar com a contestação, que beneficiará o PCP e, principalmente, o PS. Este último que pode voltar ao governo já daqui a quatro anos, especialmente se souber jogar a carta certa.
Uma última pergunta: Em 1985, depois da passagem do FMI, surgiu em Portugal, com a chancela de Ramalho Eanes, enquanto Presidente da República, o PRD. Surgirá uma nova força política temporária no parlamento português em 2015? Aguardemos...
0 comentários:
Enviar um comentário