Regresso hoje ao tema da derrota eleitoral dos chamados "partidos da esquerda". Confesso, no entanto, que nunca fui muito fã da dicotomia esquerda-direita. O que me leva a reafirmar: é preciso repensar a democracia, até porque há caminhos comuns.
O que para mim também não faz sentido hoje é entregar o país aos mesmos partidos de sempre - CDS, PSD, PS - sendo até arriscado fazê-lo. E veremos isso durante a próxima legislatura, ainda que reconheça que os partidos são constituídos por pessoas e muitos lobbies instalados.
Nos próximos quatro anos, Portugal está entregue nas mãos da coligação PSD/CDS. Não tenho o discurso político da alguma esquerda que considera que estamos entregues à bicharada, que eles são maus e nós somos bons, até porque algumas medidas "recomendadas" pelo memorando de entendimento do triunvirato já deviam ter sido feitas antes.
O caminho que é preciso percorrer é simples: o PCP deve continuar com o seu discurso, para as suas bases; o PS fará uma travessia pela floresta, porque o deserto já está cheio de gente; e o BE terá uma oportunidade de ouro para marcar a sua posição. O que deve fazer do ponto de vista de comunicação/marketing político?
1 - Acabar com o discurso do Robin dos Bosques, de que temos de roubar aos ricos para dar aos pobres, porque as pessoas já não compram a ideia. E o PCP fá-lo melhor do que o BE.
2 - Aprender a dialogar e acabar com o estigma de que a esquerda está sempre do contra, apresentando-se como alternativa que una descontentes e abstencionistas.
3 - Olhar para as restantes democracias, para o seu funcionamento, e recolher boas práticas. Há muita coisa a fazer em Portugal.
(Lista que vou acrescentando...)
Não quero com isto dizer que o BE deve alterar a sua linha ideológica - que em muitos pontos está certa. Antes que deve saber comunicar melhor, escolhendo também melhor as suas bandeiras. É este caminho que fará com que consiga roubar espaço ao PS, que crescerá e reunirá forças até atingir o pico que o conduzirá ao governo em 2019/20.
1 comentários:
http://blaguedeesquerda.blogspot.com/2011/06/margens-da-esquerda.html
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